A globalização é um caminho sem volta. A instabilidade política, as barreiras comerciais, o protecionismo e a corrupção podem tornar esse processo mais ou menos complexo, mas não vão interrompê-lo. Os líderes empresariais, sejam de companhias grandes ou pequenas, sediadas em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, estão empenhados em traçar estratégias de expansão além das fronteiras nacionais. Mesmo o excesso de regulação, apontado por quase a totalidade dos CEOs entrevistados como o maior desafio nesse processo, não deterá essa ambição.
Os resultados da pesquisa mostram que, no âmbito global, os CEOs entendem que a globalização apresenta conseqüências positivas sobre suas empresas. Isso também é verdade para os líderes empresariais brasileiros, pois 57% acreditam que o impacto da globalização é positivo no curto prazo. E esse otimismo cresce para 61% quando se vislumbra o horizonte mais longo, para os próximos três anos.
Entretanto, os CEOs entendem que existem inúmeros desafios a serem superados em conexão com o processo de globalização. Enquanto que para os empresários americanos as barreiras comerciais, as medidas protecionistas e o excesso de regulamentação são as principais preocupações. Para os CEOs brasileiros, essas questões dividem a agenda de preocupações sobre a globalização com itens, como corrupção, câmbio e instabilidade política.
Outro resultado da pesquisa, que tem grande importância para o Brasil, refere-se ao interesse dos CEOs globais em fazer negócios com os países emergentes que formam o bloco denominado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Como se poderia antecipar, a China é o destino preferido para novos investimentos, mas o Brasil disputa o segundo posto muito próximo da Índia.
Essa constatação não deixa de ser positiva, considerando os recentes problemas políticos do país, o baixo crescimento econômico que tem sido registrado nos últimos anos e os problemas estruturais, como a segurança pública, a educação e a carência de infra-estrutura (embora nesse aspecto o Brasil não esteja atrás das demais economias emergentes com as quais disputa a atração de capital de investimento de longo prazo).
Na América do Sul, o Brasil é o destaque da pesquisa. Além de ser o principal foco de investimento de CEOs de outros continentes, é, também, o principal foco dos investidores sul-americanos.
As respostas mais pessimistas representam 14%, isto é, vislumbram impactos negativos para a organização. Ao avaliar um cenário futuro mais longo, a perspectiva melhora. São 61% que avaliam positivamente para o período dos próximos três anos, contra 13% que aguardam impactos negativos.
É interessante notar o crescimento consistente do otimismo dos executivos. Olhando o passado, numa perspectiva dos últimos três anos, o impacto é considerado positivo por 50% do universo dos pesquisados.
Esse mesmo otimismo é observado na América Latina como um todo. O impacto positivo da globalização nas organizações é crescente com o passar do tempo.
Impacto da globalização nas organizações no próximo ano
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Impacto da globalização nas organizações nos próximos três anos
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Apesar de otimistas, os líderes empresariais estão conscientes dos obstáculos a serem superados em um ambiente globalizado. O principal desafio da pauta nacional em termos de globalização é a corrupção e o excesso de regulamentação, classificados como um dos mais significativos por 79% dos entrevistados, seguida pela imposição de barreiras comerciais/medidas protecionistas e pela instabilidade da política cambial, ambos com 77%.
Em termos globais, o excesso de regulamentação é também considerado o maior desafio, com 64% das respostas. Quando analisadas as respostas da pesquisa global sob a perspectiva de economias desenvolvidas versus emergentes, a percepção acerca dos desafios à globalização altera-se. O excesso de regulamentação permanece em primeiro lugar em ambos grupos (59% e 71%), mas surge uma grande distinção em itens, como as questões sociais (46% e 70%), a instabilidade política (49% e 67%) e a corrupção (36% e 67%).
Qual o grau de desafio atribuído a cada um dos seguintes itens em termos de globalização
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A pesquisa buscou apontar também a percepção dos empresários brasileiros sobre a influência que o processo de globalização poderá exercer na convergência de algumas questões ou normas. Não surpreende que o maior grau de influência esperado pelos CEOs brasileiros seja na convergência dos padrões de governança corporativa, e de normas de divulgação de informações financeiras e não financeiras ao mercado em geral, incluíndo as normas de convergência contábil e regulatórias. Esses temas passaram a ocupar boa parte da agenda interna das organizações, e a presença constante dos líderes empresariais em seminários dá a dimensão de seu impacto para o mercado.
Qual a influência da globalização no processo de convergência das seguintes normas e leis?
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